Entre as celas
do minúsculo recanto branco
o menino de olhos virados
desvia do nulo,
mas não escapa do cubo,
nem o cubo dele escapa.

Ela
Desdenha entre os bosquejos
das lacunas
esboçadas no recôndito boçal.

 

Repica o telefone
tintilando gritos avessos,
interrompendo
desatentos pensamentos
dela:
sua saliva pegajosa,
seu embrulho das farturas
de sua fragilidade.
O telefonema esperado
nunca ressoa.
Empilham-se pedidos empilhados
e armam-se documentos em cadafalsos
avisando despencar
de suas construções.

O sol atenta contra o vidro e contra o tempo.
Penetra peralta da escuridão:
Não borra da janela o reflexo do universo
esquálido.

A  poucas distâncias
remontam palmas ao céu nublado.
Empalidece
o verde estampado no retrato
inerte,
como filme de televisão.

Sua foto calada
reclina-se em sua mão áspera.
Nela, invisível,
enxerga sua fuga calada
e gatuna,
que expressava nos lábios moedicados
um tempo rastejando lânguido,
perambulando livre de sua prisão.

RF

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