Não ganhei meu apelido à toa, mas apesar de ser sempre um jiló, meu momento mais jiló é quando assisto televisão. Assistir comigo é complicado. Converso com a tela, grito com âncoras, personagens de novela e entrevistados públicos. Xingo políticos, me revolto com atletas e zombo de gente burra, o que menos falta na televisão mundial. Quando assisto os canais abertos brasileiros, então, endoido de vez. Aí sim que a coisa fica feia pro lado de quem estiver comigo no mesmo quarto. Quando assisto futebol, torço com a torcida, mesmo quando estou no interior de São Paulo, e os jogos acontecem em Roma. Para facilitar a vida daqueles que pretendem ser meus hóspedes, na nova coluna do Suma em minha homenagem, porque eu mereço mais do que ninguém, escreverei da quinzena/semana/dia o que me tirou do sério. Para começar, então, lá vai:

BandNews: No fim de semana (1/5/2011), o Ricardo Boechat, da BandNews, deu a história de um taxista local baleado por um assaltante, mesmo tendo cooperado, que recebeu alta do pronto socorro, e que dois dias depois veio a falecer. Isso, depois de ser corretamente diagnosticado: A bala que o atingiu acertou parte de seu fígado, pulmão e diafragma. Então, Boechat pergunta:
“Quem é pior? O assaltante que baleou, ou o médico que deu alta ao taxista?”

Ô, bucho, ouve só uma coisa, mas fica quietinho que é algo que você ainda não aprendeu a fazer. Já não bastasse as gafes que você deu depois da tragédia de Realengo criticando muçulmanos, agora você me sái com uma dessas, vovô? Você e o Boris (Casoy) frequentam o mesmo boteco? Como você tem a capacidade – a falta de  capacidade, desculpe – de fazer uma pergunta estúpida dessas? Médico, mesmo o mais competente, erra. Mesmo que esse médico seja o doutor pateta da pitibiriba, ainda tem direito de errar. Mais erra ainda em situação de calamidade pública, como a que é enfrentada diariamente na maioria dos postos de saúde e prontos socorros de nosso SAMU. Pior, muito mais erra o médico que tem que atender centenas de casos como o do taxista por semana. Incompetente? Sim. Merece ser processado, ou ao menos investigado? Em que lugar racional do mundo não investigariam? Mas comparar um erro médico a um camarada animalesco que assalta e mata mesmo sem reação da vítima, por puro prazer e desespero social, é o cúmulo da sua estupidez, alvejando, é claro, qualquer polêmica que lhe dê audiência. O que o senhor ainda não entendeu, porque lhe falta neurônios para tanto, é que o senhor está tão acostumado com o assalto dos outros, que quando estiver infartando vai sair à procura de médico e se tratar com bandido. Deformador de opinião, às vezes é bom calar o bico e ir dormir. Aprenda.

CNN: Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje (5/5/2011) que não publicaria a foto do corpo de Osama bin Laden, os repórteres foram às ruas procurar reações. Uma senhora entrevistada disse:

“Eu preciso ver pra crer. Se não vejo a foto dele, como sei que ele está morto? Ficaria mais tranquila se visse.”

Ô, decrépita, vamos por partes. Se você curte ver morto, você não fica “tranquila”, você fica excitada. Molha a calcinha quando vê defunto? Tem clínica que trata essa doença, que tem nome, necrofílica. Tem também uma série chamada “Faces da Morte”, maravilhosa pra pessoas do seu nível. Já que Obama não quer publicar as fotos, recorte a carinha de bin Laden de qualquer jornal, revista ou gibi da Mônica e cole na tela enquanto vê corpos sendo cremados, galinhas descabeçadas correndo em circulos e execuções em seitas fanáticas. As pessoas que fizeram essa série pensaram somente em você. Mas se você é estúpida o suficiente de não entender que, se Osama mandar mais uma fita é porque está vivo, e ainda quer prova de algo que não tem nada a ver com sua vida particular, nada podemos fazer. Da minha parte, se fosse Obama mandaria uma passagem pra senhora viajar até o Paquistão e se atirar ao mar procurando o túmulo. Topa, fofa?

 

Por hoje é só, folquis, mas na próxima palavra tem mais.

 

Até a próxima,

Jiló

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