Essa quinzena, não foi a estupidez “sem-querer-querendo” da mídia que me irritou, e sim a estupidez mascarada de inteligência de seus comentários mais sérios, e algumas outras pequenas, mas grandes, considerações humanas.

FMI – Furo Machista Internacional –Quem sabe, sabe que se o FMI é exclusivista, racista e desproporcionalista, é, acima de tudo, machista. Até ali ainda vai, negócio é negócio, tangerina é tangerina, e bobo que seja bobo, mas o sistema é o que o sistema é. Agora, nos comentários sobre Dominique Strauss Khan, a mídia exagerou. Está certo que a cultura francesa é machista, tanto quanto ou mais do que a latina. Ainda assim, acredito que baniram o estupro da França e da maioria dos países que assinam com o FMI há um certo tempo, não baniram? Então de onde tiraram a comparação estridente entre estupro e affair sexual de outros líderes internacionais? Tinham de comparar, melhor, a Mobutu, Dada Amin e Adolf Hitler ao líder do FMI. Pior é que fala um, falam todos, como se uma análise babaca precisasse ser revendida pelo resto dos babacas. O camarada é descaradamente culpado, como papai noel e Michael Jackson são pedófilos, e ponto final. Culpado de estupro, crime hediondo, chave de cana perpétua e, se é pra ser primitivo, deixa de pseudo-analisar e “rápa fora” a genitália dele.

Higienópolis, São Paulo – O bairro é, basicamente, a Avenida Angélica e seus arredores. No rabo da Angélica cai o metro da Praça Marechal Deodoro, e o bairro desemboca em Perdizes. Na boca da Angélica, o trem chega e sai pela Paulista, a avenida mais movimentada do Brasil. Nesse corredor crescente-descente, uma parábola, desfilam moradores, trabalhadores e transeuntes do bairro, procurando as churrascarias finas, as pizzarias caras e o shopping-center (com uma das melhores cervejarias do Brasil, assino embaixo). Os braços da Angélica desembocam ou no centro da cidade, ou no estádio do Pacaembú, na Praça Charles Miller. Em dia de jogo, sem outras grandes opções, os torcedores dos times disputando qualquer campeonato no estádio sobem e descem a Avenida Angélica e escorrem indo e vindo do Pacaembu. Cantam seus hinos, gritam e, no nem tão longo percurso, perdem-se em brigas e conflitos da natureza mais banal e desnecessária possível. Claro que há drogados em Higienópolis, que já foi mais higiênica. Há travestis, e há motéis de quinta categoria, prostitutas e outros bons e mals marginais. Há de tudo naquele bairro. O problema é que também há uma estirpe, não mais nem menos imbecíl do que as demais, mas que sabe se organizar, e que não tolera metrô, por motivos inventados, – incendiados em conversas em que cumpá Xiz diz à madame Ípselon que concorda e retruca o concordado, concordado então de novo pelo Xíz, num exercício de cospir e regorjitar o cuspe um na boca do outro – e  que impediu sua construção nos arredores “nobres”. Eles acham que tem motivo lógico, segurança, pancadaria, craqueiro… Diz a eles, alguém lá de lá, que tem craqueiro dizendo o mesmo de um tanto deles, que quem conviveu sabe, como em uma tarde de 2004 em que foram presos tantos no bairro, o tanto de estilionatário, corrupto e batedor de carteira de povo que vive naquela região. Ódio e preconceito tem dos dois lados, mas é que o lado nobre, na real, não existe. Diz a eles pra abaixar a crista, dar exemplo pros outros, e exigir a construção do metrô naquela região. Vai por mim, que no fim dá bem.

MEC e o Idioma – Pra falar sobre o idioma eu não estou qualificado. Deixa, portanto, o Marcelo Carvalho paliar, e mais um texto publicado no blog de Lola Aronovich, aqui:


http://resumodachuva.blogspot.com/2011/05/imprensa-marrom-e-divulgacao-virulenta.html

E

http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/05/guest-post-os-livro-ensina-nois-aprende.html

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