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Desde pequeno, falava e fazia coisas que as pessoas, às vezes, olhavam assustadas, como se tivesse um alien na sala. Daí que as pessoas passam a crer que são extraterrestres mesmo (eu queria convencer minha terapeuta na infância que era). Até a adolescência e pós ela, eu nem entendia porque me olhavam assim quando fazia algum tipo de piada. Nunca entendi porque tinha coisas que você podia dizer, e que não podia dizer. Entendia, é claro, desde criança, a diferença entre zombar de alguém, e fazer piadas ou comentários sarcásticos. O sarcasmo, aliás, é algo que corre em família. Desde sempre. Não somos particularmente racistas, nem anti-semitas, nem misóginos, nem temos nada contra deficientes, físicos ou mentais, ou achamos graça no ato do estupro. Só que sempre soubemos rir de tudo, de todos, de qualquer coisa, e sempre soubemos rir de nós mesmos (judeus, parte sobrevivente do holocausto, com casos de estupro e deficiência de todos os níveis nos sobreviventes descendentes, de esquerda, liberais, pró-movimentos sociais politicamente e socialmente ativos, assim que, o mesmo preconceito que temos, vocês tem também e não me encham o saco).

Hoje eu tô com ganas de esganar, sim, mas tô também com certo medo. Tem gente que ainda não entendeu, mas o que está rolando em grupos sociais brasileiros e blogs é uma caça ao direito de rir e de se expressar sobre determinados assuntos. Dane-se querer as desculpas de Bastos (que fez piada), ou de Gentilli (que twittou piada), ou de Bastos de novo (no CQC, programa de piadas), o que é já em si, para mim, histeria total e cultura da censura midiática, disfarçada ou até sintomática, sim, de movimentos sociais e políticos pertinentes e essenciais ao avanço de qualquer civilização – porém, se só fede o bumbum dos outros, leva bombom, não leva? O que me mata, me morde, me rói, me corrói, me destrói por dentro, é que querem me impedir de rir e ter acesso a esse humor, ao politicamente incorreto que eu gosto, ao extremo do extremo quando há humor, porque no humor vale tudo. Fora do humor também: Querem me impedir de pensar certas coisas, querem me impedir, por exemplo, de ser contra a amamentação pública, se assim quiser pensar.

Esqueçam a liberdade de expressão. Eu entendo que determinados formadores de opinião e políticos sofram maiores consequências de suas inconsequências. A intrepidez da liberdade de expressão é venerável, mas formar ódio, votar e legislar em bases de ódio, não é expressão, é atitude de consequências diretamente nocivas, e deve mesmo ser regulado. No entanto, como a liberdade de expressão e incitar ódio ou violência muitas vezes cruzam linhas, e como definir o que é chacota e o que é humor, e o lugar da chacota no humor, e o lugar do politicamente incorreto no humor, é complexo demais, até entendo que haja momentos que o progresso colida consigo mesmo. Nada contra a lógica: O que existe, existido é.

Lembrem-se, contudo, que coibir, por associações preconceituosas, o ato de rir e pensar de algum modo, é totalitário e anti-progressista, seja qual lado procurar essa coibição. Lembrem-se que todos temos o direito de opinar, e que opinião é como um cu, todo mundo tem um, e que proibir-nos de opinar não é curar os problemas sociais e políticos que enfrentamos, como a censura não cura os problemas gerados pela liberdade de expressão. Lembrem-se que o direito de dizer todos tem, mas também tem o direito de sofrer as consequências. Lembrem-se, acima de tudo, que ninguém tem o direito de tirar seus direitos, e você tem o direito de ser, até mesmo, racista, mas acima de tudo, tem o direito de rir do que quer e não ser nada do que dizem que você seja, porque não é sua risada a que te define, são as suas ações, muito mais até do que seus ditos, tantos deles totalmente inúteis ao longo de sua vida.

Portanto, dane-se que querem censurar e coibir humoristas, que querem que peçam desculpas; que peçam desculpas, pois, mas que não parem de fazer essas piadas, porque se eles pararem, outros virão, e eu me certificarei disso, porque eu lutarei até a morte pelo seu direito de não consumir e promover qualquer espécie de arte e humor, mas morrerei pelo meu direito de apreciar, também, qualquer espécie de arte e humor.

E que sigam-me os bons.

Até a próxima,
RF

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