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Lembram-se daquela cena, nos segmentos finais do filme A Time to Kill*, em que o advogado branquelo discursa à corte sobre o assassinato dos pescoços-vermelhos que violentaram e espancaram a filha do assassino, narrando a cena do espancamento e todas as suas humilhações minuciosas, lembrando aos jurados que era uma menina de apenas seis, ou sete, ou menos anos, terminando com aquela frase clássica, “agora imaginem se a menina fosse branca”? (Se não se lembram, ói o vídeo abaixo).

Closing Argument – A Time to Kill

Aí pensemos (modo ironia on), sobre o caso do Rafinha Bastos, do CQC, sobre seu “posicionamento” (humorista) sobre a amamentação pública, e pensemos em todos os adjetivos que ele usou, e pensemos em todas as formas que ele “qualificou” (humorista em programa de humor) a anatomia feminina, e imaginemos a reaça das feministas indignadas com sua “misoginia” (humorista satírico, no programa em que todos se chamam de “bestas”, “energúmenos”, “jumentos”, etecê), e logo imaginemos a cena:

O homem, por ventura das forças da natureza, adquire o poder anatômico de amamentar. Tem, é óbvio, de raspar os pêlos em volta do mamilo, que seguem crescendo, e as mamas não é bem que ficam maiores, só os mamilos, parecendo mexerica murcha. Nós, “us hómi”, de poder, como sempre pudemos mostrar nossos corpos, que a igreja sabe que não tentam ninguém, porque mulher boa é mulher santa,  amamentaremos em público, que é um ato lindo de Deus, da natureza ou de Nana e Amazona, semi nus, para nosso e vosso bel prazer, como sempre fizemos. Imaginem aquela criatura linda, maravilhosa, toda cuti-cuti no nosso colo, enrugadinha, esperneando, procurando mama e encontrando espinha, escorregando pra cima e pra baixo no suor do sol, pertinho das axilas peludas e pouco requintadas do desodorante da manhã, em corpo não sarado, mas bem obeso, ou até meio biafra, pós holocausto, o bebê tentando não sofrer muito pelas espetedas das vértebras sobressaídas, parecendo bebê de crack tentando segurar os pelos enquanto o biquinho roxo se esgota sugando da pontinha dos mamilos peludos (sabem como é a higiene masculina, né? Imaginem o nível da depilação).

Você  (mulher, homem) pode até me dizer que defende meu direito de amamentar em público. Orra, eu defendo meu direito de amamentar em público (mijar não, é sacanagem, fede, é insalúbre, mas às vezes, se hómi pode, pode qualquer outro animal), e o seu também, e nem precisa pôr lencinho. Mas vai me dizer que você, nem por um instante, não sentiu vontade de vomitar com as descrições do parágrafo acima?

Imaginem se fosse homem…

(PS Modo Ironia Still On: Classe dominante e dominada no humor existe como existe bairros nobres e não nobres nas cidades dos mundos. É como Saci-Pererê, Curupira, Luqui Scaiwaker, político inocente, Deus e Tio Patinhas, só existe quem assim crê. Humor, sempre sem limites.)

Até as next,
Jiló

*”Tempo de Matar”, de Joel Schumacher, escrito por John Grisham e Akiva Goldsman, baseado na novela de John Grisham.

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