As ganas:
Por Elizabeth reverberava:
Em seu verso, veludo,
espalhafatosa vinha, dispersa, verdadeira-inversa
e complexa e,
sedosa, seduzia.

Luz às ganas reluziu-se
revestida nas investidas
de poemas moribundos.
Despediu-se dos padrões
e certaimes indiferentes
à lógica inconvencional:
Ela, punk,
ele, junkfood junkie.

Mana Maria, bem-seu-mal vencia:
O louco, tenso à retenção
do gotejar de seus mucos bucais e,
antes de desfazer-se em superfície,
a Mana remontou-se em
estalactíte ácida.
Variando variantes, fez-se
maior do que sua sandice.

Ele, que deu-se à pele, à queima
da roupa de seus verbos
mentirosos,
surtou no dilema, pois,
se sua gana o esgana e
mente como seus versos,
não é nem Ana nem Mariana,
e sim a gana:
É a gana que lhe engana.

RF

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