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As opiniões do entrevistado são do entrevistado, e não refletem as opiniões do Suma Irracional, bem como as opiniões do Suma Irracional são do blog e não do entrevistado, à não ser que haja explícito acordo de ambas as partes. A entrevista foi editada em adaptação à concordância gramatical do Suma. Se encontrar erros ortográficos, culpe o blog.

Rafael Mazzi é ator, humorista e standupista, “palestrante e publicitário”, como menciona em seu perfil do Twitter e, o mais importante, fundador d’A Turma da Comédia em 2008, ao lado de Thiago Alves, também ator e humorista (veja mais sobre os integrantes e a Turma). É profissional há mais de quinze anos, e seu grupo é o segundo de Stand Up Comedy de Belo Horizonte. Em 2007, surgia a primeira trupe da cidade,” Queijo, Comédia e Cachaça” e, no ano seguinte, a Turma foi criada. Mazzi está claramente involuncrado na essência belorizontina do estilo que, de modo discreto, chegou ao Brasil em meados dos anos noventa.

“Eu comecei a fazer stand up no ano em que a televisão começou a apostar no gênero,”disse Mazzi, em entrevista por correio eletrônico exclusiva ao Suma.

Críticos? O maior crítico é o público. Ele é quem paga as minhas contas. Meu patrão. (Rafael Mazzi)

Mazzi e seus companheiros adaptaram-se a uma onda que parece conquistar cada vez mais espaço no mercado atual da comédia brasileira. Hoje, além dos colossos programas da televisão aberta e de seus integrantes, como os comediantes do Clube da Comédia, o país fervilha em estilos diferenciados que, seguindo o vértice do stand up e outros gêneros similares, exploram o “universo” regional e seu humor popular. Em Belo Horizonte, por exemplo, já há seis grupos e vinte profissionais dedicados ao estilo, segundo o standupista.

O humor do stand-up atual também angareou polêmicas com a atitude da temática de choque, a exposição do humor negro e o humor onde tudo é válido. Mazzi não se atém às controvérsias. Apenas manda uma mensagem simples, “humor é humor e ponto final”.

Humor é Humor. O comediante sabe de sua responsabilidade.(Rafael Mazzi)

Cordial em seu e-mail, sempre disposto a responder sem papas na lingua e elaborando suas ideias com objetividade, o profissional em comunicação das massas tem vasta experiência em “palestrar”, vestido das peles de seus personagens quando atua, e quase despido, dando a face, quando sobe ao palco para apresentar seu stand-up. Soube ser preciso e conciso na formação de suas ideias, político em um ambiente onde a polêmica e a controvérsia exposta pelo politicamente incorreto pode ser muitas vezes cruel com o humorista. Esta matéria, portanto, é sobre Mazzi, sua Turma da Comédia, e sobre a perspectiva específica de um profissional em uma área que, por natureza, está sempre exposta ao olho do público. Público, aliás, que Mazzi categoriza como seu “patrão”.

Do Twitter de Rafael Mazzi ao Suma Irracional:

“Rir de você mesmo é o melhor! Comédia também é espelho da realidade de uma forma LÚDICA. Sair da monotonia do estresse do dia a dia.”

“Textos universais de HUMOR, aqueles MAIS POPULARES, independente de temas, é o mais aceitável. Sem palavrões é melhor.”

“A Comédia é a única profissão que requer comprovação imediata do espectador. Se você é ruim, é ruim. Se é bom, é bom.”

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Suma Irracional: Em sua obra como ator e comediante, de onde surgiu a ideia de partir para o stand up?

Rafael Mazzi: A ideia de apostar no stand up partiu da necessidade de investir na Capital dos Bares (Belo Horizonte). Estava ganhando muito pouco com o teatro e precisava ter um retorno maior. Pensei: temos de colocar novidade e entrar na moda que está conquistando o Brasil. O maior diferencial do humor hoje no Brasil se chama: Stand Up Comedy. Palavrinhas mágicas: Novidade, moda, diferencial.

SI: Você acha viável comparar o stand up dos Estados Unidos ao stand up do Brasil?

RM: Bem, tem muita gente que tenta fazer uma réplica do stand up americano no Brasil, mas temos de adaptar para a nossa linguagem. Eu não acho graça do stand up americano. Eles tem linguagem diferente da nossa para formatar uma piada. São culturas diferentes. Lá, eles riem do COTIDIANO deles. Aqui ,estamos em outro universo de observação. O brasileiro adora futebol e mulher. É mais aceitável você escrever piadas sobre casamento e partidas de futebol. O mineiro adora esses temas. Quanto mais simples você escrever uma piada, melhor!

SI: Qual é o gosto dos consumidores brasileiros do humor atual?

RM: Depende das regiões brasileiras. Sobre Belo Horizonte, depende do grupo, do local que vai definir a classe social de cada público. O mineiro é extremamente crítico. Temos de ser melhores a cada dia.  Mineiro não é burro.

SI: E o gosto do público brasileiro, no geral?

RM: Sem palavrões você conquista quem não gosta de palavrão e até quem gosta de escutar o palavrão.

SI: Você se adapta ao gosto popular, ou procura destrinchar as barreiras do gosto?

RM: Eu já experimentei me adaptar ao gosto popular. Classes A e B são públicos mais exigentes. Se fizermos alguma interação para essa plateia, temos de ir com mais cuidado, “pisando em ovos”, são mais reservados, não gostam de se expor. Um dia eu já invadi as barreiras do gosto e fiz do meu jeito para o público classe A e B. Não deu muito certo. Comecei a suar e pensar: ‘Da próxima, tenho de me adaptar.’

SI: Quais são as suas influências no humor?

RM: Eu sempre me inspirei nos textos de Fernanda Young, redatora do seriado Os Normais. Já havia visto os vídeos de Rafinha Bastos, Marco Luque e Danilo Gentili. Mas eu sempre baseei meu trabalho em minha personalidade, minha vida, nunca tentei copiar ninguém.

Si: Onde você se sente mais realizado profissionalmente? Como ator ou como standupista? Pode não ser justo perguntar isso…

RM: Os dois me deixam realizados. Eu gosto mais do Stand Up no teatro. As pessoas vão pra te assistir e estão concentradas. O stand up no bar é complicado, porque você concorre com a cerveja, com os amigos, com o garçon passando toda hora. O ator faz qualquer coisa. O standpiano tem seus limites. Por isso é mais completo o ator que cria textos stand up.  Por isso que eu misturo a química de fazer teatro com a magia do stand up.

SI: Como você caracterizaria a diferença entre atuar e fazer stand up?

RM: O segredo do stand up é você criar um personagem invisível para divertir as pessoas. Você está interpretando o tempo todo. É impossível entrar de “CARA LIMPA”, sem personagem. Não existe figurino, mas você cria um personagem interno, mais extrovertido, ou muito irônico, ou por demais doidinho. Se você está fazendo stand up, você está atuando.

SI: Humor negro e sarcasmo são, para você,  uma necessidade no stand up?

RM: Eu nunca pensei em um dia formatar um texto de HUMOR NEGRO. Mas é só olhar pra vida e ver que ela é justamente esse tipo de humor. Para formatar um texto, humor negro é conseqüência. Nós nunca sabemos onde a inspiração vai dar. Se o humor negro e o sarcasmo surgirem naquele texto específico, ele será bem vindo.

SI: Ao seu ver, há diferença entre humor de mal gosto e humor negro?

RM: Não consigo taxar o humor. Existe HUMOR e ponto final.

SI: O que você diria aos críticos que acusam humoristas que fizeram piadas de determinados grupos de serem pessoalmente contra esses grupos?

RM: Fizeram alguma acusação? Aprendi hoje que não posso defender ninguém. Sou político.

SI: Mas você tem alguma opinião sobre pessoas que associam o humorista ao racista?

RM: Não. Normalmente quando via algo errado que arrancava a dignidade das pessoas, eu era o primeiro a defendê-las, mas hoje aprendi que, se você é cachorro e vive dentro da jaula do leão, você tem de entender que ele precisa comer a carne primeiro, para te dar o osso. E enquanto você não é leão, você tem de passar a ser sustentado por ele, por mais que não aceite a política de vida dele. Humor é Humor. O comediante sabe de sua responsabilidade. Não colocamos “NOME AOS BOIS”. Se a carapuça serviu, não é problema meu.

SI: Faz sentido dizer que, enquanto houver preconceito, o preconceito será objeto de humor?

RM: O preconceito está na cabeça das pessoas. Estamos aqui para divertir as pessoas. Humor é Humor e ponto final.

SI: Tem alguma mensagem que quer mandar ao público de “Everywhere” e pros beagânos?

Quero anunciar que esse ano tem muitas novidades. A Turma vai passar de STAND UP para SHOW DE HUMOR. Humor é Humor. Quero a contaminação de outros gêneros do humor no meu bar. Sem preconceitos.

Acesse Twitter da turma @turmadacomedia

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A “Turma da Comédia” se apresenta todas as Terças-Feiras na Choperia Santa Tereza, em Belo Horizonte.

Fontes: O Tempo e Uai.

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