Sou um defensor da Liberdade de Expressão. Para mim, ela é como a gravidez. Não existe meia gravidez; ou é inteira ou não é.
Nenhum tipo de restrição é aceitável para as idéias: nem mesmo às preconceituosas, antidemocráticas, racistas, sexistas, xenófobas, sanguinárias, revisionistas (por exemplo, para aqueles que dizem não ter havido o holocausto). Nenhuma ideia é inadmissível, até mesmo a mais aberrante, até mesmo a mais odiosa.

Isso não quer dizer que defendo essas ideias. Pelo contrário, eu as combato com veemência. Mas tenho certeza que a manifestação de preconceitos é resultado e não causa do sistema ao qual estamos submetidos, que é baseado na mercantilização e no lucro, no “fetiche do dinheiro”.

A melhor forma de combater essas ideias é deixá-las virem a luz, pois a proibição as torna atrativas e transforma em “mártires” os que são vítimas da censura. Não há nem bom nem mau uso da liberdade de expressão. A absoluta tolerância com todas as opiniões deve ter por fundamento a intolerância absoluta com todas as barbáries.

Deixo aqui a dica de umam ótima leitura sobre Liberdade de Expressão. É um livro chamado “Nada É Sagrado, Tudo Pode Ser Dito”, escrito por Raoul Vaneigem. O autor defende que até a besteira do “Mein Kampf” deve ser liberado. Melhor que circular clandestinamente na organização de grupos neo-nazistas. E antes que algum maluco venha me espinafrar, deixo claro que não é a propaganda nazista que se está fazendo aqui, porque “propaganda” implica em defender “ir às vias de fato”, ou seja, praticar a intolerância.

Sobre o babaca do vídeo, (não confundam esse tipo de babaquices com humorismo. Esse cara não é humorista. Ele apenas acredita nas besteiras que fala. Ele também não é cria de Rafinha Bastos, como o autor do vídeo deixou entendido.) é apenas um boçal que quer aparecer fazendo um vlog na internet e tem todo direito de fazê-lo e a ele deve ser dado todo o direito de falar seus absurdos. Não é a Liberdade de Expressão de um babaca que deve ser combatido, mas sim o preconceito existente na sociedade. Temos que tolerar as opiniões. O que deve ser alvo de intolerância é a barbárie.

Enquanto for um comentário, um discurso, uma polêmica, é apenas uma opinião – execrável, antiquada, condenável moralmente, mas opinião. Agora, este negócio de coletivo, “raça”, comunidades, nações, etc, sabem se defender, não precisa de iluminados para defenderem. Ação afirmativa sim; censura nunca mais. Não podemos perder o sono com baboseiras que não mudam nossas vidas. Mas perco o sono com o risco de que a liberdade que desfrutamos possa ser ameaçada. Nisto, não tem acordo. Ou se é a favor da liberdade de expressão, ou contra.

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