Hiato = Encontro de duas vogais que pode ocorrer de duas maneiras: (1) uma vogal no fim de uma palavra, e a outra no princípio da palavra seguinte, dando um som desagradável e obrigando a abrir excessivamente a boca. Exemplos: A água Irá a Belo Horizonte; (2) duas vogais em sílabas diferentes, que guardam sua individualidade fonética. Exemplos: aéreo, país, ruína, Teodoro, caatinga. É uma palavra derivada do latim hiatu, que significa ação de abrir a boca. Em português, como em várias línguas, há uma tendência a evitar o hiato através da ditongação ou da crase.
Anatomia. Vários orifícios ou fendas do corpo humano, como o hiato esofágico, o hiato de Falópio e o hiato de Winslon.
Geologia. Lacuna estratigráfica; abertura, fenda.
Hiato ato de abrir a boca – derivada do latim hiatu = ação de abrir a boca.

Priscila Jerônimo

A palavra hiato no teatro é peculiar, pois é exatamente o que fazemos, abrimos a boca pra dizer algo ou não, como já dizia Caetano. Algumas  vezes abrimos a boca sem soltar um som, sem simplesmente dizer algo. No teatro contemporâneo, o que mais se preza é a não teatralidade, evitar o hiato entre o cênico e o real. Dizer da forma mais natural possível, como se o ato de “hiatar” fosse como respirar, natural, simples, sem purpurinas, sem exageros. Tenho aprendido a ser natural ao atuar, quebrar o hiato da vontade explícita de entrar no personagem antes da hora, antes do tempo.

É difícil, pois estamos acostumados a pensar em teatro como algo já pronto, e corremos o risco de cair no estereótipo, no caricato, o que nos dias de hoje não é mais aceito, ao menos não pelos grandes críticos ou grandes pensadores do teatro contemporâneo. O fato é que, hoje em dia, estudar teatro passa muito mais pela análise do corpo como ferramenta de diálogo com a cena e com o outro do que “vestir o personagem”- isso se constrói, isso se processa na construção da cena.

Há a meu ver um hiato nisso tudo, uma lacuna proposital, uma fenda entre o coração do ator que bate descompassadamente quando se está entregue nas mãos do diretor, que por vezes é cruel, irascível e orgulhoso. Um hiato capaz de causar grandes sensações destrutivas para o ator/atriz em composição. O fato é: Somos sentimento, razão e coração, somos alma, carne e principalmente seres humanos e invariavelmente não lidamos bem com a crítica, com o descaso e a falta de respeito.

Atuar passa muito mais pela palavra doar, do que representar. Você doa seu corpo, sua respiração, sua vida para aqueles minutos preciosos que um hiato de um crítico nunca conseguirá alcançar. Portanto, hiatos críticos entre o ser ator e o ser artista, prestem atenção na matéria humana que está ali, nua, crua e despida da vergonha; alguém que transpôs o hiato geográfico do medo e ousou ser um simples artista.

Priscila Jerônimo – estudante de teatro, roteirista do curta ” Vaca Verde”, atua e escreve a peça: ” Sobre cigarros e submissão” baseada nos textos de Anton Tchecov  e Heiner Müller, atualmente é aluna da Escola CITA – Trupe Artemanha – Teatro Popular de Campo Limpo. Cursou ” Direção Teatral” na Companhia -O Grito, fez cinema com Edu Abad do Tele Cine Brasil – de Lais Bodansky e Luis Bolognesi…Narra sua formação cênica em seu blog.

Anúncios