Arte de Beti Timm

Valsa de atos,
hiato e vergonha
alheia:
Pisa a fumaça esticada,
rumina o baldio à volta,
lamina na faca da lingua
o gostinho da pólvora
temperada no rosto
d’um meliante
que já derrama
dos poros
suor e medo.

Deixa atrás do “em si” atos
esgotados
nos ósculos
d’um qualquer desentendido.
A sombra do quarto
lhe cresce e lhe esquece
a cada conquista
de suas distâncias
e, há quem diga que a fuga
é a melhor parte.
Não é.

A melhor parte
não é
surrupiar o ar
ex-exalado pelo defunto,
ou privá-lo de atos de sua eterna
privacidade ao lado
da família e dos amados.
Nem regar a alma,
extinta em si,
nas lágrimas dos
sobreviventes.

A melhor parte
é a feita arte
com as fotografias
de sua ira,
com a desgraça e a dor
alheia,
nos hiatos,
na temporariedade.

RF

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