Blog do Vereador Paulo Frange

Não dizia sentir-se nu,
exposto ao fígado
da grande cidade, mas,
sentia-se nu,
diante dos milhões, olhando, olhares
que o humilhavam.
Modesto

não era, ali, mais alto
do que os mais altos
egos edificados;
alvejando os míseros mini
símios, a brigar por espaço
nos esgotos da grande cidade, que
pulsava,

distraída de seu próprio caos,
sangrando dos Caetés, ano a ano,
avulsa de si mesma,
quieta somente por estar imersa
em seu soberbo turbilhão.
Portanto,

nem era ele, nem ninguém
da grande cidade e,
sim,
sua grandiosidade, e ele,
destilado em um apogeu
de vigas férreas, viris,
desfilava despido,
não das vestes, não
dos materiais tão mais custosos
do que valiam, mas
de tudo que seu corpo (nu)
traduzia à grande cidade, esta
viva no mundo, e esperta
de todos os seres vagando
sem rumo,
frente às janelas arreganhadas
de outros estranhos apartamentos,
cujos habitantes misteriosos sangram em segredo,
alojados na garganta de moinhos
imensos.

RF

Anúncios