Nota do SupraSuma: As eleições presidenciais nos Estados Unidos só faltam engrenar, porque o candidato Republicano já está definido. Nos próximos quatro textos, farei uma breve introdução do clima do mandato do Presidente Barack Obama. Depois dessa análise, comentaremos, com a ajuda de Omar Sanchez, proprietário estudando direito na Flórida, e outros, Democratas e Republicanos, sobre o sentimento popular, as estratégias políticas, e as manobras eleitorais d’A Escolha do Próximo Porteiro. Espero que sirva para melhor compreender um sistema um tanto quanto diferente do que o vingando no Brasil. Aos abráx, RF

Presidente Intelectual depois de um Presidente Visceral



Euforia: O Presidente é Barack Obama. As ruas são pisoteadas e abarrotadas pelos salpicantes eleitores, que se sentiam felizes, audazes, livres e vencedores. A noite em que Presidente Obama é eleito não é considerada apenas a da vitória dos Democratas, mas também sobre o racismo estadunidense. Os americanos, enfim, traumatizados pela era Bush, elegeram um afro-descendente com nome africano. A palavra que adestra o paradigma dos cidadãos é “esperança”. Obama inicia seu período basicamente anulando todos os últimos decretos federais instituídos por seu predecessor para a realização de sua análise mais profunda. Imediatamente, Obama se empenha no procedimento de leis ao estímulo da economia, incluindo estímulos diretos à população, o congelamento do pagamento de salários de funcionários da Casa Branca ganhando acima de cem mil dólares anuais, e cortes em impostos ao estímulo da educação e assistência social. Obama também expandiu um plano especial de saúde que cobria sete milhões de crianças carentes, incluindo neste mais quatro milhões. O Presidente Democrata, ao menos nos seus primeiros meses, empenhou-se em erradicar a política do Presidente George W. Bush. Prometeu fechar o centro de detenção da Baía de Guantánamo (o que tornou-se, posteriormente, um de seus maiores pesadelos e parciais  fracassos), e suspendeu a lei que bania pesquisas em células-tronco embrionárias. Quase que instantaneamente, empenhou-se em abrir as portas para diálogos internacionais com todos os ignorados pela administração passada.  Prevendo e sentindo o clima de oposição, Obama também assinou a lei “Nós Não Podemos Esperar”, para estimular o avanço de leis julgadas importantes durante a crise financeira sem que estas se percam no limbo do Congresso (que foi essencial em alguns momentos, mas inútil em muitos outros). Aumentou, também, os impostos em cigarros para “estimular a população a deixar de fumar”. Controversamente, entretanto, foi acusado de manipular o processo de transparência quando forçou algumas de suas escolhas a posições de gabinete.

Negação: Nem bem terminavam de celebrar, já havia os inquietos, os irrequietos, entre estes os arruaceiros da Oposição, inconformados com a vitória de um oponente não só ideológico, mas conceitual.  A indignação espreitava nos esbugalhados quase incontidos. Ainda não tinham todas as suas forças para lutar, mas percebiam que seu tempo chegaria. Sabiam, isso sabiam, que o Presidente não tinha méritos humanos para ser presidente, e portanto inventaram seu demérito nacional: Era nascido no Quênia, ou qualquer outro desses países africanos, cujo continente era enigmaticamente desconhecido para os poucos que sabiam o que era um Atlas.

E muitos o viam e o vem assim...

Vale lembrar que nem toda a oposição mantinha o mesmo pensamento. Contudo, os primeiros meses de Obama já demonstraram que o Presidente representava um governo muito mais presente na vida das pessoas em alguns aspectos, e muito menos em outros. A oposição, em sua maioria, é conservadora fiscal, de fato, mas o conservadorismo social é o oposto do fiscal, e a oposição é, ou boa parte desta, conservadora social. Este conservadorismo suscita o envolvimento do governo em temas julgados morais, como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, é essencial compreender que foram poucos os Republicanos pedindo menos governo na sociedade. O governo, para ambos lados, deve estar sempre presente. Só divergem nos campos de tal presença, e pouco mais.

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