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Inquietude: O Congresso parece não trabalhar no mesmo compasso do Presidente, mesmo sendo, em maioria, de seu partido. Para alguns grupos, especialmente os LGBTS, Obama decepciona quando diz que não comandará, por decreto presidencial, o repelimento da regra “não pergunte, que eu não respondo” ( referente à admissão de soldados de sua homossexualidade, ato proibido até o ano passado ), deixando a tarefa para o Congresso. Algumas das maiores batalhas dos últimos sessenta a setenta anos nos Estados Unidos devem ser travadas pelo Presidente, incluindo a reforma no campo da saúde, a resolução e retirada das tropas armadas do Iraque (prometida em campanha e acirrada em seu primeiro mês de mandato), e a reaproximação dos Estados Unidos ao resto do mundo diplomaticamente. Destas batalhas, talvez a mais importante fosse a de ressucitar uma economia à beira da falência. Além da turbulência da oposição popular, que se alimentava singelamente de sua imagem na Casa Branca, seu próprio partido o acusava de ceder muito a seus oponentes. O plano da reforma da saúde era retardado por uma composição literária monstruosa e complexa, e com detalhes incabíveis a ambos partidos dominantes. Se Obama obteve sucesso em garantir pacotes de auxílio financeiro à população geral, e se manteve seu punho forte, ao menos publicamente, com lobistas no Congresso, não parecia manter-se tão firme diante de tanta instabilidade congressista.

Discursos eloquentes, plateia complicada.

Oposição: O Presidente Obama encara uma realidade perversa: A população liberal que tanto se mobilizara na época das eleições, não se mobiliza tanto quando as eleições terminam. O Congresso, com sua impassividade, agrava as críticas contra a Administração. A crise econômica – que não começou com Obama, que francamente mal tinha atingido a puberdade quando o primeiro declínio tintilava – alarmava a população. Os sussurros revoltados começavam a se transformar em conversas, logo discussões, logo brigas cada vez mais violentas, até que, fatalmente, transformaram-se em guerras ideológicas. Obama passou a ser chamado por simpatizantes inflados com a fumaça da discórdia econômica e política de Comunista e Nazista, especialmente quando tentava, a todo custo, instigar seu Congresso a assinar a reforma da saúde. Obama sofria não só com Republicanos, mas também com sua base, visto que, apesar de sua fúria durante a campanha presidencial de 2008, mostrava-se muito mais apto a abdicar de seus ideais perante a quase inflexível oposição.

Popularidade: Quando Obama começou seu mandato, tinha mais de oitenta por cento de aprovação nas pesquisas. Os números se estabilizaram, e chegaram à casa baixa dos quarenta por cento, logo à casa alta dos quarenta por cento. As incertezas na economia, a dificuldade de desmantelar o centro de detenção da Baía de Guantánamo, e o aumento das tropas e do orçamento dedicado ao combate no Afeganistão não o ajudaram. Dois fatores afetaram, contudo, sua credibilidade para melhor: A morte de bin Laden, e a melhora, mesmo que parcial e perfidiosa, da economia estadunidense. Assim, Obama sempre manteve um nível de popularidade muito acima do qual Bush gozava em seu último mandato, e sempre acima da média de todo o mandato de seu predecessor.

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