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A frase de Bill Clinton, “é a economia, estúpido,” funcionou bastante bem para o Presidente Barack Obama em 2008. Apesar de ter parafraseado seu companheiro político, Devan Patrick, durante as campanhas de 2008, com seu discurso “são apenas palavras”, Obama não precisou parafrasear o ex-presidente, marido de sua principal rival durante as preliminares. A situação caótica no universo econômico mundial foi sua maior aliada ideológica. Os democratas sabiam que poderiam capitalizar justamente neste tema, já que a segurança nacional tem sido, historicamente, favorecedora aos republicanos.

Em 2012, entretanto, democratas provam de seu veneno e encontram-se em papel um tanto quanto estranho: Obama, afinal, presidiu durante quatro anos de economia caótica, e seu histórico tem a exata medida de confusão necessária para que um cadidato republicano possa, pela primeira vez desde Clinton, usar a frase do democrata:

“É a economia, estúpido,” já disse Mitt Romney.

Ninguém suspeitava que esse ano houvesse disputa digna pela Casa Branca. Com programas de estímulo econômico, extensões de seguros desemprego, extensões de cortes de juros a classes específicas da economia estaduinidense, com o estímulo à criação de empregos no setor privado (contrabalanceado pela sua política tributária), e estímulos federais à indústria automobilística, Obama e sua equipe pensavam que a economia apresentaria melhoras sustentáveis em 2012. Estavam enganados. De 8,2%, o desemprego nacional caiu para 8,1%. A criação de empregos no setor privado esteve aquém do desejado, com apenas 130 mil gerados. Ainda há uma média alarmante de empregos perdidos maior do que ganhos, e os números de Março e Abril pressionam ainda mais o incumbente.

Romney, candidato que não teria competência para sê-lo em qualquer outra circunstância, (como não a teve em 2008, contra John McCain), venceu as preliminares republicanas, e parecia resumir a inconsistência de seu partido perante um presidente que capturou Osama bin Laden, tecnicamente assinou a retirada das tropas do país do Iraque sem deixar de parecer fraco justamente por aumentar a presença de tropas no Afeganistão (sim, sem resolver o problema, mas estamos falando de impressões eleitorais apenas, e não da realidade), e que nunca teve menos de 40% de aprovação popular. Com a realidade econômica, contudo, até Romney começa a parecer candidato viável.

O último parênteses do parágrafo passado é importante. As impressões eleitorais são a realidade, ao menos de acordo com o jogo político. Assim, a viabilidade de um candidato que jamais conseguiria unir sua base com as próprias forças e histórico político – senhoras e senhoras, falamos de Mitt Romney – passa a se tornar mais concreta a partir do momento que as eleições passam a ser um referendo. Expliquemos melhor:

Joe Klein, da revista “Time”, Ed Kilgore, da revista “The Republic”, e Sean Trende, do portal “Real-Clear Politics.com”, debatem a natureza das eleições de 2012. Os dois últimos argumentam que, historicamente, o Presidente em questão vencia sempre dentro da margem percentual de sua marca de aprovação popular. Já Klein, liberal declarado, argumenta que mesmo que as eleições de 2012 sejam um referendo da aprovação de Obama, elas ainda delineam uma escolha real entre dois candidatos. A escolha entre duas políticas diferentes pode ser mais ou menos importante do que decidir se manter o curso é mais válido do que optar por outro. No caso da última hipótese, Romney não precisaria ser tão bom, bastando que Obama fosse suficientemente ruim.

A economia, como prevera Clinton, é o que faz um Presidente. Junto à economia, só o complexo militar, e mesmo assim a economia ainda leva vantagem na opinião pública, e guerras historicamente promoveram prosperidade econômica nos Estados Unidos. Além disso, Obama nem precisa ser pior, só parecer pior, e a economia é seu maior reflexo.

RF

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