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            Oriente Médio

As tropas do Iraque começavam a voltar para casa e, muito apesar da impossibilidade de denominarmos o período como fim da guerra, a administração de Obama conseguia, taticamente, diminuir sua presença e seus gastos no país. Por outro lado, a escalada da violência no Afeganistão também trouxe um aumento ainda maior no financiamento do complexo militar estadunidense. A Primavera Islâmica começava e, se por um lado Obama aumentou a interatividade com governantes do Oriente Médio, por outro surgia um período de instabilidade diplomática, onde o Presidente precisaria aliar-se a novos líderes, que nasciam de revoluções sociais. Dilema disto, é que a maioria das revoltas clamavam a conquista de sociedades mais islâmicas do que seculares.

O fato é que o mundo sofreu transformações severas desde que Obama assumiu a presidência. Parte de seu papel na Primavera Islâmica foi seu auxílio ao Conselho de Segurança da ONU implantar, sobre terreno Sírio, uma zona de vôos proibidos. No Egito, contudo, Obama perdeu um aliado dos Estados Unidos, Hosni Mubarak, e sua demora em estabelecer relações com líderes potenciais contribuiu para o seu distanciamento da população local. Osama bin Laden, no entanto, por capturado e morto em suposto combate, enalteceu Obama em nível doméstico, mas fragilizou sua imagem perante o Oriente Médio.

Em suas relações com Israel, o Primeiro Ministro Binyamin Netanyahu colidiu pragmática e ideologicamente com a administração de Obama. Ambos mantem-se amigáveis, mas Netanyahu encontra muito mais apoio em adversários ideológicos de Obama, e nas muitas organizações lobistas do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee – Comitê Americano-Israelense de Relações Públicas, um grupo que financia lobistas pró-Israel). Nem Robert Gates (Secretário da Defesa), nem Hillary Clinton (Secretária do Estado), conseguem avançar as negociações de paz entre Israel e seus vizinhos. Por outro lado, Israel passou a se tornar uma peça importante da administração de Obama contra a proliferação de armas nucleares no Irã. Ainda há um enigma sobre a potencial erupção de conflitos armados entre Israel e o Irã.

            Direitos Sociais

Uma conquista importante ocorreu em 2010, quando as forças armadas dos Estados Unidos finalmente repeliram a regra “não pergunte, que eu não respondo”*. A luta contou com inimigos republicanos famosos pela atuação e influência nas forças armadas, John McCain tendo a maior notoriedade. Obama também reforçou o punho contra lobistas, apesar de que sua luta esteve muito aquém do prometido. Logo em seus primeiros meses na administração, Obama instigou a lei que permitia que indivíduos processassem grandes empresas. Prometeu também punir os “criminosos” de Wall Street que lucraram com a grande crise financeira, o que também ficou muito abaixo do esperado.

Recentemente, Obama se declarou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A análise de Eduardo Weizs procede: A estratégia em ano eleitoral visa o maior distanciamento da direita, visto que a mesma reagiu exatamente conforme o calculado pela Casa Branca, com furor e repúdio à declaração do Presidente. O que a equipe de Obama pode querer demonstrar, e o faz com sucesso, é que ser conservador-republicano é quase sinônimo de ser contra a propagação geral dos direitos humanos.

(Nota do autor: Há pontos conservadores que me atráem mais do que os contrapontos liberais, no quesito sócio-econômico. Toda regra tem suas muitas exceções, portanto não generalizarei, mas a falta mais grave do partido são suas ideias de cunho moralista-religioso, que, quando assim usados, andam na contramão do avanço dos direitos sociais, como opor-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a intenção de alguns de seus políticos de revogar o direito ao aborto).

Economia

A crise econômica e financeira nos Estados Unidos  já estava ligada, em um mundo inter-independente, com a crise econômica e financeira mundial. A Europa desliza para a calamidade, que com poucas boas novas, e muitas más, ainda se alastra na região. Obama e sua base conquistaram, internamente, algumas medidas importantes para o estímulo da economia, mas nem todas surtiram o efeito desejado. No entanto, o crescimento dos Estados Unidos já é maior e mais sustentável do que o da Europa, no geral. A indústria automobilística dos Estados Unidos é um dos sucessos controversos, tendo sido consistentemente reforçada pelo Presidente. Nos últimos meses, a economia demonstrou sinais de melhora, com o crescimento de empregos e a diminuição de pedidos de seguros de auxílio ao desemprego. Março, no entanto, teve apenas a metade do crescimento de empregos esperados. Abril também mostrou números desanimadores.

* Leiam o trecho Inquietude, do segundo texto sobre o Mandato de Obama.

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